Alguns filmes querem apenas contar uma história, outros querem desafiar o público a todo instante. “Desconhecidos”, de JT Mollner, é definitivamente um filme do segundo tipo. Um thriller psicológico que manipula, provoca e engana, ele te arrasta para uma jornada brutal e angustiante, onde a tensão não vem apenas da violência explícita, mas também da incerteza constante sobre o que está realmente acontecendo.

A trama, aparentemente simples, acompanha uma mulher ferida tentando escapar de um predador implacável em meio à natureza selvagem do Oregon. Mas é aí que “Desconhecidos” começa a brincar com as expectativas do público. O que parece ser apenas mais um jogo de gato e rato entre vítima e assassino logo se revela como algo muito mais denso e aterrorizante. O filme se propõe a dramatizar os últimos meses conhecidos de um serial killer, e essa abordagem transforma a narrativa em uma sucessão de eventos imprevisíveis e brutais. O perigo está sempre à espreita, e cada cena carrega consigo uma sensação inquietante de que algo pior está por vir.
A grande sacada do longa está na sua estrutura narrativa. Em vez de seguir uma progressão linear, “Desconhecidos” opta por um formato fragmentado, dividido em seis capítulos, que exige do espectador uma atenção redobrada. A montagem nos faz conectar os pontos de forma não convencional, e cada revelação faz com que repensemos tudo o que achávamos que sabíamos até ali. Se em um momento o filme nos faz acreditar que estamos vendo um simples jogo de sobrevivência, no seguinte ele nos joga em um quebra-cabeça psicológico, onde nada é tão óbvio quanto parece.

Outro ponto forte é a maneira como o filme usa nossa familiaridade com o gênero contra nós. O diretor sabe que o público já viu inúmeros thrillers de perseguição e serial killers, então ele brinca com as convenções. O filme nos faz esperar certos clichês, apenas para depois desmontá-los de forma inesperada. O vilão não é apenas um monstro sem rosto, e a vítima não é apenas uma coitada indefesa. Há nuances, há momentos de inversão de papéis e há uma crescente sensação de impotência que nos faz sentir tão vulneráveis quanto os personagens.
No final das contas, “Desconhecidos” é um filme que merece ser assistido com o mínimo de informações possível. Quanto menos você souber, melhor será a experiência. É uma obra que te prende não só pelo suspense, mas pela inteligência do roteiro e pelo jogo psicológico que estabelece com o público. Saí do filme com a mente girando, lembrando do poder que um bom thriller tem de nos deixar completamente imersos e desconfortáveis, e isso, meus amigos, é um grande elogio. O filme estreia dia 3 de abril nos cinemas.